Sobre o murumuru

O murumuru (Astrocaryum murumuru) é uma palmeira nativa da região Amazônica, encontrada principalmente em áreas úmidas e temporariamente inundadas, próximas aos rios e lagos, especialmente no estuário do Rio Amazonas e no alto Juruá, Amazonas (Pacheco et al., 2020; Cruz et al., 2017). A palmeira de murumuru cresce em touceiras com estipe de 10 a 12 metros de altura e seu tronco, folhas e cachos são recobertos de espinhos que podem alcançar mais de 20 cm de comprimento, o que dificulta a coleta dos frutos (Cruz et al., 2017). Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) o período produtivo ocorre entre janeiro e maio, com pico de safra entre fevereiro e abril. A aparência dos frutos é em formato ovóide que quando maduros exibem uma coloração externa que vai do marrom claro ao amarelo ouro (Bezerra, 2008). Em média, a palmeira pode ter 5 cachos ao ano com média de 243 frutos por cacho.

O murumuru é símbolo de diversidade natural e resistência cultural, com potencial econômico para as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e agricultores familiares. Desde a coleta até sua comercialização no mercado nacional e internacional, o sistema produtivo envolve saberes locais, esforços coletivos e relações com o meio ambiente amazônico. Valorizar o murumuru, portanto, significa reconhecer seu papel como um produto da sociobiodiversidade que integra floresta, economia e cultura (Da Silva, 2023).

O processo de coleta dos frutos do murumuru é realizado manualmente. Devido à presença de espinhos, os extrativistas utilizam luvas para proteção durante a atividade. Após a coleta, a polpa é retirada por meio de lavagem e em seguida, os caroços ou cocos passam por secagem. Concluída a secagem, as amêndoas são extraídas manualmente ou mecanicamente e prensadas para a obtenção do óleo, que depois é filtrado e armazenado. O produto resultante é uma gordura de aspecto semi-sólido, conhecida como manteiga de murumuru, amplamente utilizada na indústria de cosméticos e também na indústria de tintas, como agente secativo (Cruz et al., 2017).

O custo de coleta dos frutos do murumuru é estimado em R$0,72/kg, considerando mão de obra e instrumentos de trabalho, enquanto o preço de venda varia entre R$1,80/kg e R$2,50/kg. Em Abaetetuba (PA), em 2018, o valor médio pago pela cooperativa aos cooperados chegou a R$ 4,00/kg (PACHECO et al., 2020). No caso da gordura de murumuru, o custo de produção é de aproximadamente R$ 22,00/kg, sendo comercializada a R$ 44,00/kg (CRUZ et al., 2017). Apesar do potencial de rentabilidade, o sistema produtivo enfrenta desafios relacionados à falta de equipamentos de proteção adequados, bem como às dificuldades de acesso a cooperativas e à assistência técnica, fatores que limitam sua inserção em sistemas produtivos mais rentáveis e certificados.

As Unidades Produtivas Modais (UPMs) utilizadas na modelagem espacialmente explícita foram registradas pela CONAB e abrangem localidades no Amazonas e no Pará, com produtividades médias variando entre 6,6 e 16,8 t/safra. Em Lábrea (AM), o sistema apresenta alta produtividade (16,8 t/safra) e baixo custo de produção (R$2.122,70/t), com transporte predominantemente fluvial e terrestre, cujo custo médio é de R$323,66/t. Em Carauari (AM), a produtividade é de 6,6 t/safra, com custos de produção de R$3.280,97/t e de transporte estimado em R$507,20/t. Já no Pará, os sistemas de Colares e Afuá registram produtividades médias de 7,65 t/safra e 12 t/safra, respectivamente, com custos de produção entre R$1.481 e R$2.620/t, valores inferiores aos do Amazonas.

De acordo com os registros da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE), a produção do buriti na Amazônia apresentou pico de safra em 2021, com redução significativa em 2023. Os anos de alta safra (2021) se destacam especialmente em Lábrea (AM), com 62,9 toneladas, e em Belém (PA), com 107,8 toneladas. Já os anos de baixa safra (2022–2023) apresentaram reduções expressivas. Em Belém, por exemplo, a produção caiu para 9,4 toneladas em 2023, enquanto em Lábrea (AM) caiu para 9,4 toneladas. A modelagem espacial das estimativas de renda incorpora essas diferenças, refletindo a complexidade socioeconômica e ambiental do murumuru na Amazônia (Carvalho Ribeiro et al., 2018; Strand et al., 2018).

PACHECO, A. S.; CRUZ, W. C.; FERREIRA, R. S.; et al. Murumuru na região do Baixo Amazonas: produção, usos e perspectivas. Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Florestal) – Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2020.

CRUZ, G. S.; GAMA, J. R. V.; RIBEIRO, R. B. S.; SANTOS, L. E.; MELO, L. O.; COELHO, A. A. Estrutura e valoração de Astrocaryum murumuru Mart. na região do estuário amazônico. Nativa, Sinop, v. 5, esp., p. 581-587, dez. 2017. DOI: https://doi.org/10.5935/2318-7670.v05nespa18

BEZERRA, V. S. Aspectos do estado da arte, da produção e pesquisa com a palmeira murumuru (Astrocaryum murumuru Mart.). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PLANTAS OLEAGINOSAS, ÓLEOS, GORDURAS E BIODIESEL, 5.; CLÍNICA TECNOLÓGICA EM BIODIESEL, 2., 2008, Lavras. Anais […]. Lavras: UFLA, 2008.

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