Sobre o pequi
O pequizeiro (Caryocar brasiliense) é uma árvore nativa e endêmica do Cerrado brasileiro [1,2]. Símbolo do bioma, seus frutos dourados são chamados de “ouro do Cerrado” pelas comunidades que deles dependem [3, 4]. A árvore pode atingir até 10 metros de altura [3] e produzir entre 500 e 2 mil frutos por safra [2,5], que caem naturalmente ao solo entre outubro e março [6,7]. Sua ocorrência se estende por Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins [4].
O fruto é protegido por legislação federal desde 1987 (Portaria IBDF nº 54/87), que proíbe o corte e a comercialização de sua madeira em todo o território nacional. No entanto, o reconhecimento de sua importância ecológica, cultural e econômica foi ampliado em 2025 com a promulgação da Lei nº 15.089, de 7 de janeiro de 2025, que instituiu a Política Nacional para o Manejo Sustentável, Plantio, Extração, Consumo, Comercialização e Transformação do Pequi (Caryocar brasiliense) e demais frutos e produtos nativos do Cerrado. A legislação estabelece diretrizes que contribuem para a conservação dos pequizeiros, o fortalecimento das cadeias produtivas extrativistas, o incentivo à pesquisa, à industrialização e à comercialização dos frutos, além da valorização dos conhecimentos tradicionais e modos de vida das comunidades que dependem desses recursos.
[1] FROES, Kamilla Nunes; OLIVEIRA, Dario Alves De; LEITE, Marcos Esdras; SANTOS NETO, Narciso Ferreira Dos. Identificação de localizações estratégicas de unidades de armazenamento, beneficiamento e distribuição para extrativismo do pequi. Revista Brasileira de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, [S. l.], v. 6, n. 14, p. 945–956, 2019. DOI: 10.21438/rbgas.061422. Disponível em: http://dx.doi.org/10.21438/rbgas.061422. Acesso em: 20 jul. 2026.
[2] SILVA, Jaqueline Pinheiro; TEJERINA, Gabriela Rodrigues de Lima; Barreira; Sybelle; SOUZA, Cleonice Borges de. Aspectos da comercialização do pequi (Caryocar brasiliense Camb.) no estado de Goiás, Brasil. Enciclopédia Biosfera, v. 18, n. 37, 2021.
[3] FONSECA, A. S. F.; SANTOS NETO, N. F.; MENDES, J. B. Modelagem logística aplicada ao extrativismo do pequi. Revista Transporte y Territorio, [S. l.], n. 26, 2022. DOI: 10.34096/rtt.i26.12126. Disponível em: https://revistascientificas.filo.uba.ar/index.php/rtt/article/view/12126. Acesso em: 20 jul. 2026.
[4] SILVA, M. N. S.; TUBALDINI, M. A. S. O ouro do Cerrado: a dinâmica do extrativismo do pequi no norte de Minas Gerais. Revista Eletrônica Geoaraguaia, v. 3, n. 2, p. 293-317, 2013. Disponível em: https://www.periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/geo/article/view/4866. Acesso em: 20 jul. 2026.
[5] SANT’ANNA, Ana Cláudia. O uso econômico da reserva legal no Cerrado: uma simulação do extrativismo sustentável do pequi. 2011. Dissertação (Mestrado em Economia Aplicada) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2011. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11132/tde-28062011-084246/pt-br.html. Acesso em: 20 jul. 2026.
[6] CRUZ, A. da S.; MOURA, E. Z.; DILL, R. P.; BRUM, A. L.; BÜTTENBENDER, P. L. Uma análise sobre a cadeia produtiva do Pequi e seu sistema de mercado: o caso da microrregião de Montes Claros (MG). Contribuciones a Las Ciencias Sociales (CLCS), [S. l.], v. 16, n. 11, p. 25605–25620, 2023. DOI: 10.55905/revconv.16n.11-050. Disponível em: https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/3008. Acesso em: 20 jul. 2026.
[7] GRZEBIELUCKAS, C; BORNIA, A. C; CAMPOS, L. M. de S; SELIG, P. M. Evaluation of the opportunity cost for the conservation of the Cerrado in the production of pequi: a study in Mato Grosso. Custos e @gronegócio on line, v. 6, n. 1, 2010. Disponível em: http://www.custoseagronegocioonline.com.br/numero1v6/Custo%20de%20oportunidade.pdf. Acesso em: 20 jul. 2026.
[8] AFONSO, Sandra Regina; ANGELO, Humberto; DE ALMEIDA, Alexandre Nascimento. CARACTERIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE PEQUI EM JAPONVAR, MG. Floresta, [S. l.], v. 45, n. 1, p. 49–56, 2014. DOI: 10.5380/rf.v45i1.33987. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/floresta/article/view/33987. Acesso em: 23 jul. 2026.
[9] SILVA, Marcos Nicolau Santos da. Entre brejos, grotas e chapadas: o campesinato sertanejo e o extrativismo do pequi nos cerrados de Minas Gerais. 2011. xvi, 277 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011.
[10] BISPO, Tayline Walverde; GUÉNEAU, Stéphane; BRAGA, Camila Lago; LIMA, Cristiane Cavalcante. CADEIAS PRODUTIVAS DOS FRUTOS NATIVOS DO CERRADO: estudo de caso sobre o agroextrativismo no Vale do Rio Urucuia em Minas Gerais e no Sul Maranhense. Informe GEPEC, [S. l.], v. 25, p. 133–152, 2021. DOI: 10.48075/igepec.v25i0.26388. Disponível em: http://dx.doi.org/10.48075/igepec.v25i0.26388. Acesso em: 23 jul. 2026.
[11] OLIVEIRA, Cleiton Silva; GONÇALVES, Lucas Emanuel Nunes; COUTINHO, Marcos Pelegrini; PEIXOTO, Ney; GATTO, Alcides. Aspectos Socioambientais da Comercialização de Pequi em Goiás. Floresta e Ambiente, [S. l.], v. 24, n. 0, 2017. DOI: 10.1590/2179-8087.058213. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.058213. Acesso em: 23 jul. 2026.
[12] CARVALHO, P. E. R. Pequizeiro: Caryocar brasiliense. In: CARVALHO, P. E. R. Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, 2008. v. 3. (Coleção espécies arbóreas brasileiras, v. 3).
[13] BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Ministério do Meio Ambiente. Portaria Interministerial MAPA/MMA nº 10, de 21 de julho de 2021. Institui lista de espécies nativas da sociobiodiversidade de valor alimentício, para fins de comercialização in natura ou de seus produtos derivados. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ed. 137, p. 4–8, 22 jul. 2021.
[14] COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Custo de produção: pequi: Porteiras – CE; Damianópolis – GO; Japonvar – MG; Santo Antônio do Retiro – MG; Nossa Senhora do Livramento – MT. Safra anual 2024. Elaboração: CONAB/DIPAI/SUINF/GECUP.