A estação de monta (EM), ou período de monta, é uma prática da criação de bovinos em que as fêmeas em reprodução são expostas ao touro ou inseminação artificial (IA) durante um determinado período do ano, com o objetivo de concentrar os partos e em sequencia as operações (desmama, vacinações, vermifugações, etc.). A adoção da EM possibilita a identificação de fêmeas de melhor desempenho reprodutivo, sendo que as vacas que parem no início da estação de partos, normalmente, ficam gestantes mais cedo dentro da EM e desmamam bezerros mais pesados[i].

Fatores a serem avaliados para o estabelecimento da estação de monta são[ii]: sua implantação deve coincidir com período do ano de maior disponibilidade de forragens de melhor qualidade (estação das chuvas); avaliar a fertilidade dos touros ou do sêmen para não ocorrer comprometimento nos índices de prenhez; avaliar a condição ginecológica das fêmeas antes de entrarem na EM, e de acordo com o resultado estabelecer estratégias de manejo para aumentar a eficiência reprodutiva.

O período da estação de monta recomendado é de no máximo 120 dias, pois as fêmeas terão oportunidade de 5,7 cios consecutivos para conceberem, se o período não for suficiente nesse período alguma deficiência no sistema deve estar ocorrendo, como, baixas taxas fertilidades dos touros e/ou matrizes, subnutrição, anestro, ou manejo inadequado.[iii]

As necessidades nutricionais de vacas de corte podem ser divididas em 4 períodos, de acordo com a fase produtiva ao longo do ano: pós-parto; gestação e lactação; meio da gestação e pré-parto. Sendo assim, as necessidades nutricionais variam de acordo com cada período, e o programa nutricional deverá seguir estas variações, para suprir as necessidades de vacas e novilhas, quando forem necessárias.

O período do meio da gestação, que ocorre do outono ao inverno, inicia-se quando ocorre o desmame do bezerro, e apresenta menores exigências nutricionais. É o período na qual as vacas devem acumular condição corporal, para que venham a parir em condição corporal moderada/boa.

O período pré-parto, que engloba parte do último trimestre de gestação, é o período onde ocorre maior crescimento fetal. Vacas e novilhas magras ao parto levam maior tempo para ciclar, e uma alta percentagem irá conceber muito tarde, ou mesmo não irá conceber durante a estação de acasalamento. Além disto, vacas magras ao parto parem bezerros mais fracos, produzem menos leite e desmamam bezerros mais leves.

O período pós-parto é o mais crítico, pois as necessidades nutricionais (energia, proteína, minerais e vitaminas) de vacas e novilhas são maiores durante o início da lactação. Mesmo sob condições ideais, vacas a pasto vão perder condição corporal neste período, mas, se estiverem com boa condição corporal, estas perdas não terão grande efeito na reprodução.

O período de gestação e lactação inicia-se com o término da época da parição, sendo que, nesta época, as vacas devem ciclar e conceber novamente, e coincide com a época do ano de estação quente, onde a forragem cresce de forma rápida e apresenta boa qualidade.

Em resumo, as vacas necessitam de condição corporal mínima, ao início e ao término do período de acasalamento, para expressarem o seu potencial reprodutivo. Vacas magras necessitam de um nível nutricional adequado após o parto, superior às vacas em boa condição corporal, pois precisam dar leite, recuperar o peso e condição corporal perdida, para que voltem a ciclar e conceber.

O ajuste da estação de monta, dias e época, com a necessidade nutricional da matriz, aliado a qualidade e quantidade de forragem são necessários para maiores resultados na eficiência reprodutiva da matriz. O escore corporal, associado ao peso no início do acasalamento e à perda de peso durante o acasalamento, é o fator determinante da taxa de prenhez[iv]. Vacas com partos mais tardios dentro do ano apresentaram menores índices de prenhez. Ajustar a duração da estação de acasalamento e parição para período não superior a 90 dias e adequá-la ao período de crescimento da pastagem são, portanto, estratégias benéficas ao sistema de cria. Bezerros nascidos no início da estação de nascimento obtiveram maior ganho de peso e peso a desmama, isto em função da maior disponibilidade de alimento, quando comparados aos animais nascidos no final da estação[v].

Tabela 16 – Relação entre a condição corporal (escala 1 a 5), por ocasião do diagnóstico de gestação, e taxa de prenhes

Cond. Corp. ao diagnóstico gestaçãoNúmero% de prenhes
1398
1,518730
263061
2,5174588
321192
3,521100
Fonte: Corah (1991).

Tabela 17 – Efeito de duas lotações em campo nativo sobre o peso ao parto (PP) e ao acasalamento (PA), condição corporal ao parto (CCP) e ao acasalamento (CCA) a percentagem de prenhes de vacas, produção de leite (PL), ganho médio diário e peso ao desmame de bezerros nascidos em setembro e outubro (GMD setembro, GMD outubro, PD setembro e PD outubro).

  Tratamento * 
Indicadores0,8 EV/há0,6 EV/ha
PP307ª333b
CCP2,33ª3,01b
PA365ª355a
CCA3,20a3,13a
% Prenhes86,8ª96,7a
PL (kg leite/dia)5,526,39
PDsetembro163169
PDoutubro132153
GMDsetembro0,730,76
GMDoutubro0,620,77
Valores seguidos das mesmas letras, na mesma linha, não diferem estatisticamente (P < 0,05). * EV = equivalente vaca (400 kg).  Fonte Quadros e Lobato (1996 e 1997).