A América do Sul passa por uma transformação logística com a expansão de ferrovias, rodovias e a modernização de portos. Projetos como as Rotas de Integração Sul-Americana e o porto de águas profundas de Chancay, no Peru, destacam-se por sua ambição de conectar centros de produção agrícola e mineral aos mercados globais, especialmente na Ásia, impondo desafios estruturais significativos à região. Projetos de infraestrutura transnacionais poderiam servir como catalisadores para uma maior integração regional, mas dependem de uma visão coesa que vá além de interesses nacionais isolados, especialmente no que diz respeito à internalização de seus impactos socioambientais. Esses projetos, considerados em conjunto, não apenas carecem de uma compreensão dos efeitos ambientais negativos de longo prazo, como também de racionalidade econômica, uma vez que podem competir entre si.
Aqui, desenvolvemos avaliações ex ante dos impactos socioeconômicos e ambientais das Rotas de Integração Sul-Americana. Analisamos um conjunto de cenários para produzir avaliações de custo-benefício oportunas e abrangentes das principais infraestruturas de transporte planejadas e conectadas às cinco grandes rotas, especialmente na região Pan-Amazônica, que está sujeita a grandes transformações nas próximas décadas, mesmo que apenas parte da infraestrutura planejada seja implementada. Ao dialogar com organizações-chave da sociedade civil e instituições públicas e privadas, utilizamos novas ferramentas baseadas na ciência, juntamente com o conhecimento delas derivado, para influenciar o governo brasileiro, os países da OTCA e instituições financeiras internacionais, visando alcançar alternativas mais consistentes e opções de mitigação que possam evitar a ameaça da infraestrutura à sociobiodiversidade da Amazônia, principalmente a de suas Áreas Protegidas.